domingo, 20 de maio de 2007

Paco de Lucia

Passar o natal na praia pareceu-me muito estranho. Com datas festivas sou bem rígido, principalmente neste dia. É a ocasião de passar com a família em casa. Mas acabei aceitando a troca dessa vez. Quatro dias em Capão da Canoa foi algo bem divertido. Álcool e futebol diariamente eram saborosas guloseimas dos fatídicos últimos dias de 2006.

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Na noite da véspera natalina estávamos eu e um amigo no centro da cidade. Encontramos lá alguns amigos dele. Todos eram psedos-headbangers. Na verdade não passavam de uns moleques que vivem escutando metal melódico e falando mau de tudo que está fora desse pequeno e chato universo deles. Acham-se os eruditos da musica. Lembro pouco de suas características. Haviam dois irmãos gêmeos, uma garota que dias depois fui descobrir que era totalmente auto-destrutiva e mais dois rapazes cujas suas características não chamaram-me minha atenção, já que apaguei da minha mente em um curto espaço de tempo. Camisetas de bandas? Claro que tinham, mas também não recordam de quem era, se não me engano a da guria era do evanescence. Estavam sentados em bancos do lado de uma barraca dos saborosos kreps suíços. Nós acabamos entrando no grupo para não ter que ficar perambulado por aí como baratas tontas.

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Conversa musical chatíssima. Tudo que eles falavam era chato: bandas, músicas, heavy metal e etc... Realmente detesto todos os fãs de metal melódico por serem tão chatos e Xiitas. O local realmente não estava agradando-me. Mas fazer o que, tinha que matar um pouco o tempo ali fora para a ceia natalina que aconteceria a alguns minutos no apartamento onde estava com minha irmã.

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Consultei meu celular diversas vezes para saber quanto tempo ainda tinha. Infelizmente não tenho precisão total para afirmar que horas eram. Mas estava perto de me chamarem para a ceia. É nisso que surje do meu lado um senhor que carregava uma bolsa preta e se não me engano fumava. Ele pediu-me licença para sentar-se conosco. Claro que foi concedido. Aqui parece um dos personagens mais estranhos que já vi. O homem veio falando um portunhol bem estranho conosco, não entediamos nada. Era preciso pedir para que falasse a mesma coisa várias vezes para uma pequena assimilação nossa do seu tosco vocabulário. Todo aquele pessoal ria dele. E ele mostrava-se bastante irritado, mas eu não ria.

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Quando começamos a acostumar-se um pouco com sua fala ele questiona sobre as camisas de bandas do pessoal. Nessa parte surge-me um melancólico lapso de memória. Porém esse papo vai levar ao desconhecido dizer que era um renomado produtor. Se não me falha a memória ele seria uma espécie de manager do Sepultura. Todos duvidaram. Nesses momentos comecei a notar que deveria ser um louco excêntrico.

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Mais um pouco de conversa e ele conta-nos que fala inglês. Por incrível que pareça a comunicação melhorou bastante nesse quesito. O problema era formular perguntas nessa língua. A garota do inclinava seu corpo para frente tentando mostrar interesse para depois lhe fazer perguntas idiotas se estava bêbado. Algo que sempre o deixava irritado. Mas visualizei que também esse idioma era toscamente reproduzido pela nossa figura desconhecida. Até chegou um ponto em que ele revela sua identidade, ou a sua identidade fictícia: Paco de Lucia! Todos ao redor não entenderam, só eu tive um suspiro e estremeci. Para quem não sabe, Paco é um dos maiores violonistas que existe, um dos maiores virtuoses do violão.

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Estava estupefato! Imagine eu poder falar com um dos maiores instrumentista do mundo. Nesse momento é que noto. E também noto como meus recém conhecidos amigos headbangers não sabem nada de música. Quando o nome dele foi dito ninguém teve o mesmo arrepio que eu. Tive que explicar do que se tratavam aquelas duas palavras que nomeava-lo. Houve muito desinteresse do pessoal, eles não conheciam sobre Paco, só eu que algumas vezes ouvi na rádio sessões de ele com Al di Meola. O nome que para mim era extraordinário para os outros presentes era nada.

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Em dado estante o meu celular tocou. Devia ir para o apartamento , pois a ceia já estava pronta. Não tinha notado como o tempo tinha passado voando. Falamos sobre diversas coisas, sempre com a reprovação dos outros que achavam que o nosso “Paco” era um impostor. Achava que isto era derivado de eles nunca ter ouvido falar sobre o seu nome. E o que mais deixava-me desapontado era que simplesmente não conhecia uma única foto do músico! Precisávamos de um violão para que provasse não ser um impostor. Mas o famigerado instrumento não estava perto de nós. O que para mim foi uma tristeza.

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Um dos gêmeos tirou uma foto com seu celular de eu e o “Paco”. Mas não adianta nada mesmo. Botei aspas no nome pois aí reside minha melancolia. Depois deste dia vi vários vídeos do violonista, todos com ele bem novo, e parecia diferente do estranho que encontrei naquela noite. Mas ainda reside um pingo de esperança que talvez tenha conhecido o real instrumentista. Mas que fique registrado em minha história: Um dia em Capão da Canoa ele conversou com Paco de Lucia ou o lunático que encarnava Paco de Lucia. Sem contar que mesmo telefonando, Jonas acabou atrasando-se para a ceia deixando a sua irmã bastante preocupada. Quando ele chegou na esquina do apartamento viu o pessoal esperando a sua chegada. Ele justificou seu atraso dizendo que estava conversando com Paco de Lucia. Mas ninguém ali sabia quem era o tal de Paco para seu desapontamento total.

1 comentários:

caroól disse...

bah que post enormeee :]

"ele justificou seu atraso dizendo que estava conversando com Paco de Lucia. Mas ninguém ali sabia quem era o tal de Paco para seu desapontamento total."


ohhhh :/
só pra ti nao fica triste vo pesquiza alguma musica desse cara aí e ouvi ^^
jdasiodja mas eu nunca tinha ouvido fala dele =P