sábado, 5 de maio de 2007

O Rock n' Roll Morreu

Vou escrever sobre a segunda vez quer toquei no lendário Garagem Hermética. Afinal, fiquei totalmente admirado pelos textos do Leo Felipe sobre o lugar e também teria que constar que eu já toquei lá.

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Era meu ultimo show pela Revulsonica e caiu em uma quinta-feira a noite. Um dia totalmente sem nexo para uma boa festa. O clima lá era totalmente deprimente, pouca gente e praticamente um bando de mods fracassados. Não acreditava que estava rodeado por essa nata que tanto odeio oriunda do Bom Fim. Me sentia totalmente deslocado, o clima de lá era underground demais para mim. Fitava todos os cartazes colados nas paredes. Nossa, todo o Rock gaúcho passou por lá. Lembro muito bem de uma amiga me dizer que no outro dia iria tocar lá o Frank Jorge. Lugar totalmente sagrado.

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Bem que poderia me encaixar ao perfil lá do pessoal: nerds, sonhadores, excluídos, fracos e etc... Mas realmente não sou como essa gente, afinal, meu Nike preto destoava com todos os All Stars velhos de lá. Não que eu seja um playboy, pelo contrario, mas acho que lá é psicodélico e revolucionário demais se é que alguém me entenderia.

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Tinha poucas mesas e cadeiras ao redor do pequeno lugar onde fica a platéia. Ficava lá eu sentado e vendo todas aquelas pessoas bizarras. Não passavam de um bando de maconheiros intelectuais. Os mods sempre me fazem lembrar da UFRGS. Será que devem existir algum desses caras oriundos de faculdade particular? As conversas eram sem pé nem cabeça. Falava-se muito da década de 60 e 70. Parecia que o pessoal tinha empacado nesses tempos. Fico fantasiando o que mais eles poderiam estar discutindo. Pelo jeito falavam de socialismo, Nietzsche, ateísmo, Beatles, economia, maconha, Woody Allen e etc...

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Em um determinado momento senti o cheiro da Cannabis Sativa sendo fumava em algum canto. Realmente aqui tenta-se viver o rock n’ roll. Nostálgico lema: Sexo, drogas e rock n’ roll. Sexo acho que deveria estar em falta nesta noite. Haviam pouquissimas mulheres lá, mas todas já com seus pares. Tinha uma que eu sempre acompanhava com olhares, ela era diferenciada, tinha roupa simples e um cabelo que não parecia dos anos 60. A única ligação com o resto era o seu bem-cuidado All Star preto. Ela já estava ficando com um musico de outra banda tosca que iria tocar no dia. Seu amante era um real molenga, deixava-a sozinha na mesa sem ninguém para conversar. Total desperdício. As drogas em qualquer lugar você encontra ultimamente. Mas o rock n’ roll de lá estava um saco. O pessoal só pode compor tanta musica ruim chapado, mas ae que diferencio os bons dos maus artistas, o bom musico vai saber compor algo descente mesmo chapado, não as porcarias pseudo-intelectuais que eu tive que ouvir lá.

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Ao falar em drogas, teve algo lá que achei sensacional. Existe um quadro do lado do “bar” deles que tem uma montagem da Mona Lisa fumando um beck. Tiramos uma foto. Ali ainda residia um respingo de melancólica anarquia. Uma imagem romântica de contestação.

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Fizemos o show. O pior que já fiz. O som da guitarra do vocalista sumia a toda hora, restando meu baixo nu apoiado na bateria. Me segurava para não rir do meu amigo dando pisões no fio que ligava a guitarra ao pedal. Conector do pedal dele estava com um maldito mal contato. Lá pela terceira música foi resolvido de ligar o seu instrumento diretamente ao amplificador. E no meio do show sinto o clássico cheiro da maconha. Comecei a rir na hora, a situação pareceu-me totalmente decadente. Estávamos tocando para umas 30 pessoas no máximo, contando com o pessoal das bandas que já tinham ido antes apresentar-se. E ainda começam a fumar na apresentação. Achei totalmente hilário e deprimente. Mas depois pensando melhor, foi meio rock n’ roll, alguém se chapando ao seu som.

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Antes de subir ao palco aconteceu algo muito triste. O Garagem Hermética é um templo absoluto da cultura alternativa de Porto Alegre. E dentre tantas características citavam a de que no seu interior era totalmente quente. Mas o ar lá estava incrivelmente gelado. Fiquei abismado, a lenda não estava acontecendo. Olhei para o teto e o vi lá em cima. Eles tem ar-condicionado agora! Depois dessa tenho que concordar: O Rock n’ Roll morreu!

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1 comentários:

adao disse...

bah meu muito grande pra ler
escreve um livro porque ler no pc eh foda

abraço
o dene tb mando um abraço