terça-feira, 8 de maio de 2007

Não era da Neugebauer!

Hoje aconteceu algo muito interessante. Ontem era segunda-feira, estava eu e minha amiga do colégio voltando das aulas. Dia bastante frio de tremer compulsivamente a boca e tapar nossas indefesas mãos em um bolso ou mesmo nas mangas dos moletons. Voltávamos no ônibus IAPI, conversa normal e chega a parada para ela descer. Tudo bem, lá se vai ela para sua casa e eu sento-me em seu lugar recém vago. E não é que quando me aconchego na poltrona encontro um pequenino celular Nokia. Acho e na hora escondo ele na minha mão. Era dela ou do rapaz que estava ao meu lado. Pergunto para ele:

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Você tem um celular Nokia branco?

Não.

Então deve ser da minha amiga!

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Mostro-lhe o aparelho. Aperto o botão para ligar mas este mostra-se sem bateria. Por sorte o aparelho que uso tem uma bateria igual. Não consigo tirar a famigerada fonte de energia do Nokia dela. Talvez estava tentando tirar muito delicadamente o mesmo. Meu desconhecido vizinho de lugar pega o aparelho e usa a milenar técnica do tapa, e não é que funciona! A bateria sai com apenas uma bofetada. Feito isso ligo o telefone e confirmo minhas suspeitas ao achar o nome dela em uns dos perfis do sistema.

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Cheguei em casa. Ligo meu computador para voltar a minha rotineira e moderna vida digital. Converso com a dona do aparelho via mensageiro instantâneo e digo que estou com o celular. Um tempo depois ela conta-me que sua mãe tinha me comprado um presente por ter achado o Nokia. Isso pegou-me de surpresa, mas afinal, sempre se bonifica os justos. Mais tarde desligo-me do mundo digital e vou durmir.

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Acordo. Hoje é terça-feira. Tudo normal. Estou totalmente atacado da rinite, o tempo esta frio e com um sol, o que é terrível para quem encontra-se com o nariz cheio de coriza. Vou até a Santa Casa como é de costume, admiro a paisagem do centro porto alegrense enquanto espero meu ônibus linha IAPI. Viajem tranqüila ao lado de um amigo de aula. Escuto meus programas de humor radiofônico no meu celular, isso já virou sagrado em minhas viagens até o longínquo bairro do colégio Dom João Becker. Ela sobe no veículo, entrego-lhe seu aparelho, ela agradece-me com seu sorriso que vela dentes geometricamente bem cuidados. Senta-se ao meu lado e abre sua mochila para pegar meu famigerado presente Espanto-me! Ela me dá uma caixa de bombons sortidos da Lacta. Simplesmente a linha que mais gosto desses produtos. Nunca esperaria uma surpresa tão agradável, está certo que nunca fui grande fã de doces, mas isto faz-me ter uma reflexão metafísica.

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Sempre ganho doces da Neugebauer, marca esta que confesso não consigo acabar uma caixa. Considero seus doces muito enjoativos. Em toda a minha vida essa sombra sempre perseguiu-me! Quantos aniversários, natais e páscoas passei tendo que agüentar seus sabores. Posso soar muito idiota, mas é a mais pura verdade. Talvez isso seja um trauma de infância. Comprava-mos barras de chocolates deles, e estas revelavam-se com gosto de gordura. Eu juro isso! Os bombons idem. Acho que ultimamente a qualidade da empresa aumentou, mas ainda desconfio, afinal já fui um xereta de psicanálise, e sei que traumas da infância influenciam na nossa vida adulta. E ultimamente confesso que a Nestlé também não agrada-me mais, sempre sobram bastantes doces da clássica caixa azul de sortidos deles.

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Acabo soando muito fútil em falar de uma caixa de doces. Mas se pensar bem, eu nem gosto de guloseimas, prefiro os mortais salgadinhos. Com certeza eu nunca vou ser um diabético, mas não existe certeza na vida. A caixa Lacta que recebi hoje foi um real choque, um êxtase gastronômico. Tanto que ela já está melancolicamente no seu fim, e noto que existem três doces que não gosto. Poisé, não existe a perfeição de doçuras para mim. Mas mesmo assim estou abismado! Afinal, não era da Neugebauer!

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