segunda-feira, 7 de maio de 2007

Arquitetura Triste

Parece que finalmente a chuva trouxe-me um tempero que tanto gosto: o frio com o céu cinza. Pode parecer uma paisagem melancólica, mas estaria totalmente selada com uma boa garoa de fundo. Dias assim me deixam mais pensativo e também são belos para fotografias. Os tons cinzas tem um gosto urbano que caem como uma luva para Porto Alegre. É nessa paisagem que o centro da cidade deveria viver todos os seus dias.

***

A chamada zona central porto alegrense me lembra a morte, não sei direito porque sempre faço essa associação. Ali a vida levanta-se em preto-e-branco. Passe lá em um domingo, estará tudo morto, deserto. O pessoal só usa este local para trabalhar. Até hoje não sei onde começa ou acaba a Cidade Baixa com o Centro. É tudo igual. Principalmente as ruas sujas com os antigos prédios pichados .

***

Passando de ônibus sempre fico olhando as construções antigas. Existem muitas casas velhas abandonadas por lá. Estas transferem uma imagem tétrica e triste. O Garagem Hermética funciona em um desses lugares, até se dizia que existiam os famosos espíritos habitando o recinto. Mas logo ao lado dele existe um grande casarão comercial. Este sim atrai-me. Ele está totalmente abandonado e cheio de lixo. Na ultima vez q tinha ido no Garagem fiquei um bom tempo olhando para as janelas quebradas do prédio, mas não consegui enxergar nada de interessante. O máximo que pude notar, se minha visão estiver certa, foi uma forma que assemelha-se a uma caixa de bateria. Logicamente deduz-se que ali o pessoal guarda equipamentos para o show. Mas minha imaginação não me segura, morro de curiosidade de saber tudo que existe lá dentro.

***

Esse papo faz lembrar de um outro lugar que é cheio de coisas escondidas. É o meu querido ex-colégio de ensino médio: o Julinho. Junto com meus amigos acabamos descobrindo uma grande quantidade de salas desativados. Com direito a eu ler os pequenos livros de sobre a instituição. Que época boa, devorava cada capitulo e sempre que eram citadas passagens sobre recintos internos chegava a um êxtase incrível. Deliciava-me em falar aos outros como tais lugares eram usados antigamente. Tínhamos planos de abrir todas essas salas, mas no fim não saiu do papel. Agora servem como um gostoso exercício de nostalgia. Explorar a arquitetura da escola era algo fantástico para nós que estávamos no último ano de colégio e já era também totalmente saudosista. Mas o mais triste de tudo isso: Todos esses locais eram totalmente usados antigamente, e agora o governo simplesmente sucateia isto! Para eu que sou um grande admirador da instituição de ensino é totalmente desesperador.

***

O estúdio onde ensaiava a alguns dias atrás era o Mossom. Este também é localizado em um prédio antigo. O mais interessante que ele é um vizinho do Garagem Hermética e situa-se no início da famigerada avenida Cristóvão Colombo que ali em sua gênese é uma pequena rua. A pintura da casa é nova e bem viva preservando sua forma física com uma beleza que não encaixa-se aos padrões do Centro. Mas quando entra-se no seu interior não apresenta nada de antigo, ao contrário, todo o aparato de tecnologia do lugar tira o seu charme externo. Esse poderia ser um lugar com a cara dos anos 60, para delírio dos intelectuais e mods que vivem nas redondezas. Desse jeito até Bob Dylan gravaria por lá...

***

Construções antigas sempre fazem eu pensar no passado, de tudo que o tempo já engoliu ou abandonou. Soa depressivo, mas qualquer coisa na vida tem sua época, por isso acho que o Centro parece morto por ter tanta construção velha por lá, afogadas em ruas sujas e acompanhadas pela violência. Enquanto isso a nata cultural apodrece em suas esquinas decadentes de domingo expelindo maconha no ar e continuando a arte de viver.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oieee
Meu lindOOOOO
*.*
passando por aki pq eu sou uma leitora assidua do teu blog!
hehehehehhehe
Garagem hermética
=/
velhos tempos
Bjux
adoro-te muitasso!
s2